Plínio Palhano
No Brasil, as temporadas de festejos ocupam quase o ano inteiro. Ao
entrar em janeiro, já na noite da passagem de ano, as músicas são como
prévias carnavalescas, que acompanham todo esse mês. E ainda tem
fevereiro quente, com os anúncios e as propagandas de clubes que
realizam as suas antecipações dos dias de Momo. O povo extravasa num
delírio coletivo de alegria. Mesmo terminando o Carnaval, continuam os
bacalhaus na vara, como querendo eternizá-lo nos últimos suspiros de
vida. E ainda há os carnavais fora de época, que acontecem nos
intervalos festivos. Depois de concretizados os finais da festa, lá para
o mês de maio, começam-se a anunciar as fogueiras juninas. Aí vêm as
quadrilhas mal caracterizadas, cheias de novidades que não são da
tradição, com danças e balés improvisados por coreógrafos que parecem
vir de outro planeta. O intervalo até o Natal é preenchido com invenções
de todas as formas. Quando novembro se anuncia, o Papai Noel, estranho à
nossa cultura, aparece.
Admiro as manifestações festivas e
culturais genuinamente populares e autênticas dos períodos. Chamo a
atenção para as deformações que nossas festas estão sofrendo e para a
alimentação do exagero, concretizado pelas administrações públicas. No
Carnaval, por exemplo, há uma invasão de ritmos que não fazem parte de
nossa cultura. Mas os políticos financiam essas deformações porque
precisam dar ao povo circo e pão de todo jeito, para mantê-lo sempre
como eles querem: alienado.
Este ano, então, em termos de
festas e eventos, será inimaginável. Teremos a mais as eleições e também
a Copa do Mundo, que, na visão de muitos críticos especialistas no
assunto, talvez seja um desastre de organização, de gastos, de desvio de
verbas...
Mas a verdadeira alegria do povo seria poder manter
seus filhos em escolas públicas dignas, para receberem uma formação
exemplar que os ensinassem das letras à educação do meio ambiente; poder
ir aos hospitais e ser recebido com todos os equipamentos necessários
ao atendimento, para que ninguém morresse na porta; ter uma Justiça
eficiente, que ofereça respostas precisas, sem os erros tão evidentes;
ter um Poder Legislativo que sirva com honestidade, sem as tortuosidades
proclamadas na imprensa; e poder contar com os poderes democráticos em
prontidão para todas as suas necessidades, e não as enganações de
projetos para mantê-lo em uma situação degradante. O povo quer mais!
No Brasil, as temporadas de festejos ocupam quase o ano inteiro. Ao
entrar em janeiro, já na noite da passagem de ano, as músicas são como
prévias carnavalescas, que acompanham todo esse mês. E ainda tem
fevereiro quente, com os anúncios e as propagandas de clubes que
realizam as suas antecipações dos dias de Momo. O povo extravasa num
delírio coletivo de alegria. Mesmo terminando o Carnaval, continuam os
bacalhaus na vara, como querendo eternizá-lo nos últimos suspiros de
vida. E ainda há os carnavais fora de época, que acontecem nos
intervalos festivos. Depois de concretizados os finais da festa, lá para
o mês de maio, começam-se a anunciar as fogueiras juninas. Aí vêm as
quadrilhas mal caracterizadas, cheias de novidades que não são da
tradição, com danças e balés improvisados por coreógrafos que parecem
vir de outro planeta. O intervalo até o Natal é preenchido com invenções
de todas as formas. Quando novembro se anuncia, o Papai Noel, estranho à
nossa cultura, aparece.
Admiro as manifestações festivas e
culturais genuinamente populares e autênticas dos períodos. Chamo a
atenção para as deformações que nossas festas estão sofrendo e para a
alimentação do exagero, concretizado pelas administrações públicas. No
Carnaval, por exemplo, há uma invasão de ritmos que não fazem parte de
nossa cultura. Mas os políticos financiam essas deformações porque
precisam dar ao povo circo e pão de todo jeito, para mantê-lo sempre
como eles querem: alienado.
Este ano, então, em termos de
festas e eventos, será inimaginável. Teremos a mais as eleições e também
a Copa do Mundo, que, na visão de muitos críticos especialistas no
assunto, talvez seja um desastre de organização, de gastos, de desvio de
verbas...
Mas a verdadeira alegria do povo seria poder manter
seus filhos em escolas públicas dignas, para receberem uma formação
exemplar que os ensinassem das letras à educação do meio ambiente; poder
ir aos hospitais e ser recebido com todos os equipamentos necessários
ao atendimento, para que ninguém morresse na porta; ter uma Justiça
eficiente, que ofereça respostas precisas, sem os erros tão evidentes;
ter um Poder Legislativo que sirva com honestidade, sem as tortuosidades
proclamadas na imprensa; e poder contar com os poderes democráticos em
prontidão para todas as suas necessidades, e não as enganações de
projetos para mantê-lo em uma situação degradante. O povo quer mais!
Plínio Palhano é artista plástico
sábado, fevereiro 08, 2014
terça-feira, fevereiro 04, 2014
O ENIGMA DA VIOLENCIA
Saí
ontem do Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro ciente de que a
vida estará sempre em risco e por um fio, enquanto não mudarmos nosso
comportamento em adequação a outras maneiras de conviver em grupo.
Seremos sempre vítimas inconscientes da nossa própria formação e
desinformação. E nada mais trágico de que o homem certo para decifrar
enigmas e profundezas da natureza humana, com o simples uso do diálogo,
tenha perdido a vida sem encontrar a solução.
Com
certeza, diante do ocorrido e se ele estivesse vivo, faria
provavelmente um filme com as perguntas imponderáveis aos jovens
adolescentes, tais como: “ O que leva um menino de 10 anos a atirar na
professora pelas costas e em seguida se suicidar?” Fato ocorrido numa sexta feira do ano de 2010 em São Paulo.
“O que leva um menino de 13 anos a matar a família e se matar em São
Paulo em agosto de 2013”. “ E porque um menino de 13 anos mata o irmão
de 12 com um disparo aparentemente acidental ?”
No
domingo, dia 2 de fevereiro, Eduardo Coutinho, um dos mais importantes
cineastas do Brasil foi assassinado pelo próprio filho. Diante dessa
tragédia surpreendente devemos perguntar: em que mundo vivemos? Será que
a violência não está mais entranhada em nossa cultura do que pensamos?
Está disseminada na sociedade de forma explícita nos conflitos armados,
mas também aparece diluída de forma oculta em meio ao comportamento
social e formatada pelos veículos de comunicação de massa. Nesse caso,
será que o cinema não tem alguma coisa a ver com isso? Tenho certeza
que este tema não iria passar despercebido e Coutinho iria rodear
calmamente em volta desse núcleo de incertezas para buscar a fonte
original do problema. E ele era o cineasta para isso.
Nas
primeiras décadas do século vinte, o revolver era o instrumento que
impunha a lei, balizava os conflitos e cumpria a função de eliminar, em
duelo justo, sujeito a regras rígidas, o personagem que feriu a lei,
matou a traição ou tentou impor sua vontade à população. Mas na
evolução dos tempos, as armas no cinema se tornaram mais sofisticadas e
letais. Incorporadas ao cenário urbano as armas de fogo adquiriram
status de efeito estético e performático indispensável para o filme de
ação. O cinema acompanha os movimentos sociais pois será sempre reflexo
do real ou do imaginário popular. No entanto estamos
recebendo, diariamente, através das salas de cinema e das TVs de
Assinatura, uma carga exagerada de séries de filmes de ação, nos quais
os conflitos são narrados de forma excessivamente violenta. E o
que vemos hoje é o recrudescimento nas telas, da violência desmotivada
e da crueldade envolvida com sadismo. Um cinema globalizado que
apresenta um mundo fictício mas convincente, para sociedades ingênuas
ou corrompidas e dominadas por criminosos e justiceiros. E no centro
dessa nova dramaturgia, poderá estar o revolver na mão de uma criança.
A
morte de Eduardo Coutinho é uma perda irreparável para a cultura
brasileira que vai se refletir na obra que deixou e inspirar os jovens
cineastas brasileiros a buscar, através do seu método, o fundo de uma
verdade inesquecível.
quinta-feira, janeiro 30, 2014
domingo, janeiro 26, 2014
sábado, janeiro 25, 2014
Sou Michelangelo Buonarroti
Plínio Palhano
Um
dos escultores representativos do Renascimento não gostava de ser
apresentado apenas como um artífice. Corrigia o interlocutor e dizia:
“Não sou o escultor Michelangelo. Sou Michelangelo Buonarroti”
(1475-1564), isto é, sou um gênio. E até hoje não há quem discorde
disso. Talvez reagisse assim por ter sido reprimido pelo pai ao
encontrar a sua vocação tão cedo — considerada, à época, uma atividade
menor. Desprezava o latim e a geometria escolares, pretendendo ser um
artista. E o pai, mesmo irado por essa escolha, com ralhos e gritos,
encaminha seu filho à oficina do pintor Ghirlandaio. Lá, por pouco
tempo, aprende a arte da pintura e a magia do afresco, que lhe serão
úteis no futuro. A paixão maior era a escultura. Logo aos 6 anos, num
canteiro de obras no jardim da casa dos pais, onde brincava manejando o
escopo e o martelo junto aos artesãos, desenvolveu o tato próprio dos
escultores, sentindo a rugosidade das pedras e tentando entender como
retirar delas imagensFoi na oficina do escultor Bertoldo que mergulhou na matéria mais apreciada para se expressar. Tornou-se um operário da pedra a partir daí. A oficina do mestre escultor era uma das iniciativas do mecenas Lourenço de Médici, o Magnífico (1449-1492), que forneceu obras antigas de suas coleções para a formação nas artes plásticas e não fazia distinção, na educação, das artes literárias. Um príncipe sem coroa de Florença. Reunia todos os sábios em seu palácio e entendeu de imediato o gênio Michelangelo, abrindo as portas, para o jovem artista, daquele mundo do mecenato, onde se respirava a beleza, a cultura e a tradição. O artista recebeu o impulso inicial e realizou obras-primas renascentistas. Um dos filhos de Lourenço, Giovanni de Médici, tornou-se o Papa Leão X, em 1513, e também foi um aficionado da arte e da cultura.
O
encontro fundamental na arte de Michelangelo foi com o Papa Júlio II. O
papa encomenda-lhe um afresco no teto da Capela Sistina. Michelangelo
resiste. Diz-lhe que não era pintor, mas fundamentalmente escultor.
Júlio II revida dizendo-lhe que ele aprendeu, sim, na oficina de
Ghirlandaio, a arte do afresco; portanto, ele iria realizar o trabalho. O
artista revolta-se ao ponto de tentar deixar Roma. Mas cede ao rigoroso
cetro papal e concorda realizar a imensa obra com a composição de 520 m2,
em 4 anos de trabalhos ininterruptos, entre crises e lutas. Inicia com
alguns auxiliares, mas dispensa-os e realiza na solidão da Capela o
grande universo! Outros papas lhe
proporcionaram realizar mais obras-primas. Clemente VII, a Capela dos
Medici e o grande sonho do artista: a tumba de Júlio II. E Paulo III o
afresco do Juízo Final, na parede do altar da Capela Sistina...
Plínio Palhano é artista plástico
domingo, janeiro 19, 2014
Uma aventura em 1930
Hugo Caldas
Paraíba. Rua Duque de Caxias. Caminhão repleto de soldados rebeldes estacionado perto do antigo Colégio Pio X. Rapaz de 17 anos chega para assistir às aulas daquela tarde. A farda do estudante pouco diferia do uniforme cáqui dos rebeldes. Arranjam-lhe um lenço vermelho e o jovem combatente está quase pronto para a frente de batalha no Recife, não sem antes invadir, em companhia de alguns soldados, o Colégio das Neves onde estudava a minha futura mãe, sob a justificativa esfarrapada de caça a um perrepista. À vista daquela porção de homens decididos e armados pelos corredores do estabelecimento fez com que algumas freirinhas desmaiassem. Os "invasores" arrependidos e nervosos (matar freira e padre dá um azar danado) decidem voltar para o caminhão que os levaria para a guerra no Recife, de onde o nosso estudante retorna preso dois dias depois, por ordem expressa do senhor seu pai, o Desembargador Caldas Brandão. O Recife inteiro já havia caído, com exceção de um um "carro blindado" que vivia atazanando a vida do inimigo e de um atirador solitário encastelado com uma metralhadora MG 42 - Lurdinha - de fabricação alemã numa das guaritas da Casa de Detenção, a varrer tudo que se movesse na Praça Joaquim Nabuco. Os rebeldes da Paraíba mal conseguiam se mexer, protegidos por enormes pneus de trator. À noite, o Sargento Nunes chega se esgueirando como podia por entre os pneus e grita: “Tem um estudante por aqui?” Eu, responde o nosso herói. “Ta preso”, vai voltar comigo para a Paraíba de madrugada“.
A Viagem de Volta:
Confiaram-lhe uma pasta, contendo documentos importantes e algum dinheiro para ser entregue em mãos ao tenente Juarez Távora que se encontrava homiziado na casa de Odon Bezerra, em Tambiá. Em hipótese alguma deveriam parar o carro. Para qualquer tetativa de parar o automóvel a ordem era atirar para matar. Nas proximidades de um lugar conhecido como Maricota, divisaram alguém no acostamento dando com a mão. Sem diminuir a marcha o Sargento Nunes perguntou, ordenando:
- Qual é a ordem, estudante? O nosso herói sem um pingo de convicção aperta o gatilho. Neste exato momento o carro é crivado por uma formidável rajada de balas... Ninguém se feriu mas o carro chegou ao destino todo costurado com os tiros..
Em Tambiá, o Tenente Juarez Távora os recebeu em pé, verificou o conteúdo da pasta, encaminhou-se até o estudante e disse circunspecto:
- "A Pátria está muito orgulhosa e agradecida pelo seu trabalho". Um dia você será devidamente recompensado. Fez-lhe um pequeno afago nos cabelos e retirou-se. Já de volta ao automóvel o Sargento Nunes pensava:
Entregar a pasta ao Tenente Juarez foi fácil. E mal disfarçando um sentimento de afeição... "O duro vai ser entregar esse estudante ao Doutor Juiz".
E assim foi feito. Doutor Caldas os recebeu vestindo um robe de chambre por cima do pijama azul. Ajeitou mecanicamente o pince-nez no topo do nariz e...
- Doutor Juiz aqui está o seu rapaz, são e salvo.
- Sargento, eu e a minha família lhe somos eternamente gratos pela proteção dada a esse maluco. Vira-se para o nosso herói e:
- "Agora é conosco"! Ciente do que poderia acontecer, o Sargeno Nunes apressa o passo para a saída, dá um abraço afetuoso no estudante e diz num quase sussurro: "Boa sorte, você vai precisar"!
A BRONCA
- Isso é coisa que se faça!
- Mas, meu pai...
- Não tem MAS nem meio MAS. Você é menor de idade e eu sou o seu pai. Não poderia ter ido sem a minha permissão. Sua mãe adoeceu e passou mal e tudo por sua culpa...
Após ouvir uma série de reprimendas o nosso herói pondera que realmente desejava juntar-se aos revoltosos e dessa vez pede a permissão paterna. Permissão concedida, alista-se, volta ao Recife naquele mesmo dia e participa como ativo guerreiro da Revolução de Trinta ao lado dos Liberais.
A volta veio confirmar o que se falava há muito. O Recife havia caído, apenas resistindo com um atirador solitário e um tal "blindado".
A coluna paraibana encontrava-se refestelada em uma confeitaria da Rua da Imperatriz.quando o blindado apareceu. Tratava-se de um furgão, desses para a entrega de cigarros no qual acharam de colocar umas tantas placas de aço à guisa de blindagem.
Freou bruscamente em frente à confeitaria e suprema audácia, atirou para dentro do estabelecimento. Após constatar que não havia feridos, o Sargento Nunes grita:
- Moçada, vamos ver se esse blindado é bom mesmo: Ao meu comando: Fogo centrado!
O blindado rodopiou uma, duas, três vezes até bater em um poste do meio da rua. De súbito um fio de sangue escorre no estribo da viatura. Abrem as portas com cuidado: Dentro, onze legalistas mortos. Retiraram os mortos e os deitaram em fileira no leito da rua. O estudante ainda teve tempo para uma oração, enquanto trocava as perneiras de marca "Carnaúba", o que de melhor havia no mercado, nas pernas de um tenente. Delicadamente colocou as suas perneiras usadas nas pernas do defunto.
A Viagem de Volta:
Confiaram-lhe uma pasta, contendo documentos importantes e algum dinheiro para ser entregue em mãos ao tenente Juarez Távora que se encontrava homiziado na casa de Odon Bezerra, em Tambiá. Em hipótese alguma deveriam parar o carro. Para qualquer tetativa de parar o automóvel a ordem era atirar para matar. Nas proximidades de um lugar conhecido como Maricota, divisaram alguém no acostamento dando com a mão. Sem diminuir a marcha o Sargento Nunes perguntou, ordenando:
- Qual é a ordem, estudante? O nosso herói sem um pingo de convicção aperta o gatilho. Neste exato momento o carro é crivado por uma formidável rajada de balas... Ninguém se feriu mas o carro chegou ao destino todo costurado com os tiros..
Em Tambiá, o Tenente Juarez Távora os recebeu em pé, verificou o conteúdo da pasta, encaminhou-se até o estudante e disse circunspecto:
- "A Pátria está muito orgulhosa e agradecida pelo seu trabalho". Um dia você será devidamente recompensado. Fez-lhe um pequeno afago nos cabelos e retirou-se. Já de volta ao automóvel o Sargento Nunes pensava:
Entregar a pasta ao Tenente Juarez foi fácil. E mal disfarçando um sentimento de afeição... "O duro vai ser entregar esse estudante ao Doutor Juiz".
E assim foi feito. Doutor Caldas os recebeu vestindo um robe de chambre por cima do pijama azul. Ajeitou mecanicamente o pince-nez no topo do nariz e...
- Doutor Juiz aqui está o seu rapaz, são e salvo.
- Sargento, eu e a minha família lhe somos eternamente gratos pela proteção dada a esse maluco. Vira-se para o nosso herói e:
- "Agora é conosco"! Ciente do que poderia acontecer, o Sargeno Nunes apressa o passo para a saída, dá um abraço afetuoso no estudante e diz num quase sussurro: "Boa sorte, você vai precisar"!
A BRONCA
- Isso é coisa que se faça!
- Mas, meu pai...
- Não tem MAS nem meio MAS. Você é menor de idade e eu sou o seu pai. Não poderia ter ido sem a minha permissão. Sua mãe adoeceu e passou mal e tudo por sua culpa...
Após ouvir uma série de reprimendas o nosso herói pondera que realmente desejava juntar-se aos revoltosos e dessa vez pede a permissão paterna. Permissão concedida, alista-se, volta ao Recife naquele mesmo dia e participa como ativo guerreiro da Revolução de Trinta ao lado dos Liberais.
A volta veio confirmar o que se falava há muito. O Recife havia caído, apenas resistindo com um atirador solitário e um tal "blindado".
A coluna paraibana encontrava-se refestelada em uma confeitaria da Rua da Imperatriz.quando o blindado apareceu. Tratava-se de um furgão, desses para a entrega de cigarros no qual acharam de colocar umas tantas placas de aço à guisa de blindagem.
Freou bruscamente em frente à confeitaria e suprema audácia, atirou para dentro do estabelecimento. Após constatar que não havia feridos, o Sargento Nunes grita:
- Moçada, vamos ver se esse blindado é bom mesmo: Ao meu comando: Fogo centrado!
O blindado rodopiou uma, duas, três vezes até bater em um poste do meio da rua. De súbito um fio de sangue escorre no estribo da viatura. Abrem as portas com cuidado: Dentro, onze legalistas mortos. Retiraram os mortos e os deitaram em fileira no leito da rua. O estudante ainda teve tempo para uma oração, enquanto trocava as perneiras de marca "Carnaúba", o que de melhor havia no mercado, nas pernas de um tenente. Delicadamente colocou as suas perneiras usadas nas pernas do defunto.
sábado, janeiro 18, 2014
quarta-feira, janeiro 15, 2014
O verdadeiro histórico do Governo Sérgio Cabral
Esse será o Governador que gerenciará os Bilhões de investimentos destinados ao Rio de Janeiro para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016.
| As entranhas do governo Cabral: o mais corrupto da história do Rio de Janeiro | ||||||||||||||||||||||||||||||||
Vamos começar pelos personagens que cercam Sérgio Cabral, os “generais” que comandam a pilhagem dos recursos públicos, que estão saqueando a população do Rio de Janeiro, através de farsas, negociatas, maracutaias e tramas nos bastidores. É a turma dos negócios promíscuos de Cabral. Vocês vão ver que por muito menos Collor e José Roberto Arruda (Distrito Federal) sofreram o impeachment. Preparem-se! Os negócios em família
Adriana Ancelmo Cabral – a esposa de Cabral O escritório de advogacia, do qual é sócia majoritária, tem como clientes, empresas concessionárias de serviços públicos estaduais e outras que têm contratos de prestação de serviços com o Estado. O Metrô e a Supervia, apesar dos caóticos serviços prestados, conseguiram por intermédio de Adriana, que o marido, Cabral, renovasse por mais 30 anos os contratos de concessão. A esposa de Cabral também advoga para o Grupo Facility, do “Rei Arthur”, que tem contratos de mais de R$ 1,5 bilhão com o governo Cabral. A mulher de Cabral representa os interesses jurídicos de várias empresas que têm contratos milionários com o Estado e dependem de decisões do governador.
Mauricinho Cabral – o irmão de Cabral Esse é um personagem que se move nas sombras, mas toda a mídia conhece muito bem, e protege por interesse próprio. É publicitário e não tem nenhum cargo no governo. Mas é ele que controla a milionária verba de publicidade e se reúne com o pessoal dos grandes veículos de comunicação. Usa a agência FSB para distribuir as verbas e comprar a blindagem do irmão Cabral. O vice que virou alma gêmea nos negócios
Luiz Fernando Pezão – o vice-governador É o homem que cuida das Obras do Estado e negocia os contratos milionários e está sujo dos pés grandes até a cabeça, passando pelas mãos ainda maiores, que lhe rendem o apelido de “Mão Grande”. Usa seu subsecretário, Hudson Braga para fazer a ponte com as empreiteiras, menos a Delta, que é linha direta Cabral – Fernando Cavendish. Está enrolado no TCU por conta do contrato da DELTA, das obras do Arco Rodoviário. Um escândalo de superfaturamento. É o responsável pela reforma do Maracanã e vai ter que responder por que mandou pagar R$ 8 milhões à DELTA antecipadamente, antes mesmo de realizar algumas intervenções previstas no contrato. Está metido numa negociata da desapropriação de um imóvel em Barra do Piraí, que pertencia à família de sua mulher, foi super avaliado e em seguida desapropriado por um valor muito acima do mercado. Os amigos e braços-direitos nos negócios
Régis Fichtner – o secretário da Casa Civil É um dos braços-direitos de Cabral desde que ele era deputado na ALERJ. Responsável pelas negociatas de imóveis desapropriados do banqueiro Daniel Dantas, denunciadas pela revista Carta Capital. O banqueiro ganhou milhões graças à generosidade da caneta de Cabral negociada com Régis Fichtner. Acertou e foi o autor da chamada Lei Luciano Huck, que legalizou centenas de imóveis de luxo construídos em área de preservação de Angra dos Reis, beneficiando o apresentador e muita gente graúda. É o interlocutor com a Justiça e o Ministério Público.
Wilson Carlos – o secretário de Governo Amigo de Cabral desde os tempos de estudante é o homem que cuida dos negócios com os políticos. É o outro braço-direito. Cuida do toma lá dá cá de Cabral. Foi flagrado em uma investigação da Polícia Federal como possuidor de contas em paraísos fiscais na China, não declaradas. Os secretários bons de negócios
Sérgio Côrtes – o secretário de Saúde Esse é o campeão de negócios sujos. Grupo Facility, TOESA e as ambulâncias, TCI, Barrier e os remédios. Mansão, cobertura, joalheria. Luxos milionários que não têm como ser explicados.
José Mariano Beltrame – o secretário de Segurança Responsável pelo contrato de aluguel dos carros da PM, a negociata com a Julio Simões cujo valor pago por viatura dá para comprar duas novas por ano. Acusado por seu ex-subsecretário de fazer escutas ilegais. Numa afronta à Constituição ganha mais que ministro do STF acumulando indevidamente salário da Polícia Federal. É o responsável pela política de acordos com as milícias. Tinha como assessores de confiança um falso tenente-coronel do Exército e o miliciano Chico Bala. Abafou as investigações da corrupção na Polícia Civil descobertas pela Operação Guilhotina e com medo da ameaça de revelações do delegado Allan Turnowski, de acusador virou sua testemunha de defesa. Turnowski sabe as relações de Beltrame com as milícias, que estão por trás da farsa das UPPs.
Wilson Risolia – o secretário de Educação O economista do mercado imobiliário que desde o início do ano toca os negócios milionários de aluguel de aparelhos de ar condicionado e outros equipamentos; além das compras superfaturadas de computadores e outros.
Julio Lopes – o secretário de Transportes O homem que negocia com as empresas de ônibus, além do Metrô, das Barcas e da Supervia. Está por trás de toda a proteção às empresas e manda os passageiros terem paciência. Os empresários parceiros de negócios
Arthur Cezar de Menezes Soares Filho, o “Rei Arthur” – Grupo Facility O poderoso “Rei Arthur” vive escondido em Miami, numa mansão milionária – dizem que tem medo de ser preso no Brasil - e chegou a abrir uma filial do Porcão na cidade americana, para satisfazer seu gosto por churrasco. Tem no governo Cabral contratos de prestação de serviços que ultrapassam R$ 1,5 bilhão, muitos sem licitação. Tem funcionários terceirizados em praticamente todas as áreas do governo Cabral, além do Ministério Público e da Polícia Federal. Cabral viaja no seu jatinho e já se hospedou mais de uma vez na sua mansão de Miami.
Fernando Cavendish – Empreiteira Delta Esse é o segundo mais poderoso empresário do grupo de Cabral pelo valor dos contratos, R$ 1 bilhão, grande parte sem licitação. Mas é o primeiro no coração de Cabral que intermediou a entrada da Delta em mais contratos milionários da prefeitura do Rio, além de outras. Está em maus lençóis depois de tudo o que está vindo à tona, por conta do acidente de helicóptero da Bahia. Segundo a revista Veja, bate no peito pra dizer que pode comprar políticos. De pequeno empreiteiro virou o campeão de obras no Rio, sob a benção do amigo Cabral, também seu vizinho do condomínio PortoBello, como o secretário de Sérgio Côrtes. Os aliados políticos e sócios nos negócios
Natalino e Jerominho – Os irmãos milicianos ex-políticos cassados Um ex-deputado, o outro ex-vereador. Chefes da milícia Liga da Justiça fizeram acordo político com Cabral, que andava com eles pra cima e pra baixo e até cantou com eles num palanque na Zona Oeste. Depois foram traídos por Cabral que não confiava neles, e que usou a milícia rival de Chico Bala, por sugestão de Beltrame para destroná-los
Eduardo Paes – O prefeito do Rio Afilhado político de Sérgio Cabral. Retribuiu o apoio do padrinho fraqueando os contratos da prefeitura aos amigos de Cabral, “Rei Arthur” (Facility) e Fernando Cavendish (Delta). Os dois multiplicaram por muitas vezes seus negócios com a prefeitura de Paes.
Jorge Picciani – O presidente do PMDB e ex-presidente da ALERJ O homem que deu sustentação política a Cabral na ALERJ, durante os quatro anos que a presidiu. Barrou qualquer tentativa de investigação. Nos bastidores tentou de todas as formas, destruir adversários de Cabral, que podiam atrapalhar os negócios. Participa ativamente do governo Cabral. A secretaria de Educação é dele, e está por trás dos contratos da compra de computadores superfaturados e de aluguel de ar de condicionado. A empresa INVESTIPLAN, que pertence a Paulo Trindade, sócio de Picciani em negócios de gado, detém mais de 90% dos contratos de informática do governo Cabral. A INVESTIPLAN também está envolvida no Mensalão do Arruda, no Distrito Federal
Paulo Melo – O presidente da ALERJ O presidente da ALERJ era até o ano passado o Líder de Cabral e quem comandava a tropa de choque que protegia o governador. De vendedor de cocadas virou um dos maiores milionários da Região dos Lagos, onde os contratos do governo Cabral passam pela sua negociação. É o campeão da multiplicação do patrimônio pessoal entre os presidentes de assembléias legislativas do país, segundo revelou recente reportagem. Dono de inúmeros imóveis adquiriu recentemente uma fazenda milionária em Rio Bonito e é dono de hotel, em Araruama. Segundo ele ficou rico ganhando comissões como corretor de imóveis na Região dos Lagos. Olha, e isso é apenas um breve resumo das participações de cada personagem. Esse é o time de Cabral que comanda o mar de lama no nosso Estado. Convenhamos que só pelo que mostrei aqui, e pelas pessoas envolvidas, da família e os principais cargos-chave do governo, o escândalo do impeachment de Collor e do Mensalão do Arruda, no Distrito Federal não chegam nem perto. Ou como definiu há algum tempo o jornalista Cláudio Humberto, os dois primeiros casos parecem “Sessão da Tarde” perto do que acontece nas entranhas do governo Cabral. Com toda a sinceridade, depois de tudo o que mostrei, e após tudo o que já veio à tona desde o acidente de helicóptero da Bahia, quem não se indignar, não se levantar contra o governo mais corrupto da história do Rio de Janeiro e o governador que está assaltando os cofres públicos, ou está levando alguma vantagem ou é completamente alienado. |
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