quinta-feira, maio 28, 2009

AVISO AOS NAVEGANTES


Este fim de semana vocês estarão livres de mim. Como? Estou em viagen pela Pequenina e Heróica Felipéia de Nossa Senhora das Neves, mais conhecida na roda da malandragem como João Pessoa. Dentre outros eventos de somenos importância devo dar uma passada nas solenidades dos 50 anos da Geração 59. Portanto, como muito bem diria o sábio Ibrahim Sued, "depois eu conto"! H.C.

quarta-feira, maio 27, 2009

Imagem do Dia

Da Série - Lula, O Cínico

É muita cara de pau! Deu no Blog da Maria Helena Rubinato

Quanto tempo você levaria para aprender essas 3 línguas, árabe, chinês e turco?

Pois o Lula levou menos de uma semana!

Se não acreditam, leiam um pouquinho aqui:

"Talvez por ter falado, esta semana, em árabe, em chinês e em turco, minha garganta se enrolou", comentou (Lula)

segunda-feira, maio 25, 2009

Uma Historiazinha

Na esteira da minha postagem, "Assim caminha a humanidade?," recebo do amigo Marcus Aranha os textos que se seguem. Titubeei alguns segundos e solicitei que confirmasse. Veio a confirmação seguida de novo texto também aqui exibido. Estão todos postados bem à maneira que o Marcus sugeriu. Façam bom proveito. H.C.

Hugo:
Lhe conto uma historiazinha; faça dela o uso que quiser, inclusive colocar no blog.

Portador de catarata, você experimentou somente o início de um drama que vivem milhares de pessoas neste país. Aos 67 anos, eu também já tenho o início de uma catarata, mas ainda estou vendo 80%.

Sabendo que não seria aprovado no exame de vista para motorista, aproveitei das "regalias" oferecidas pela bandalheira e o câmbio negro dos canais burocráticos das repartições de nosso país: paguei 500 reais pela revovação da carteira sem precisar ir no DETRAN.

Recebi a dita cuja em casa, renovada por mais 3 anos! Ou seja, aderi a uma espécie de auto-corrupção, corrompendo a mim mesmo, usando o meu proprio dinheiro.

Lamentavelmente, não sei se por castigo de Deus ou pelo cumprimento do meu Destino escrito nas estrelas, o câncer me pegou, a cardiopatia piorou muito e eu fui obrigado a parar de dirigir. Foram quinhentinhos completamente perdidos!!!

Mas há pessoas muito pobres, aos 70 anos, com saúde relativa, vendo somente borrões. E a porra do governo não está nem aí, gastando friquilhões com ONG's de araque, MST's da vida, projetos mirabolantes e o roubo descarado perpetrado por senadores e deputados.

A realidade é a que está descrita no texto abaixo, que publiquei no CORREIO DA PARAÍBA em 26-04-09. Oremos...

"O MELHOR CEGO"

O nosso presidente da república já chegou a dizer que “Em termos de saúde o Brasil atingiu a perfeição”.

O Ministério da Saúde acaba de comprovar que o número de operações de cataratas pelo SUS caiu 23% em três anos. O resultado é um saldo de 146.600 novos cegos no país

Quando José Serra era ministro instituiu mutirões no SUS para operar catarata, varizes, próstata e retinopatia. Um deputado mineiro paspalhão chamado Saraiva Felipe, que foi Ministro da Saúde depois de Serra, tinha como Secretário de Assistência à Saúde, José Gomes Temporão, hoje ministro.

Temporão achou por bem suspender os mutirões criando a Política Nacional de Procedimentos Eletivos de Média Complexidade (PNPEMC), um sistema que contempla prioritariamente o usuário do SUS com 64 cirurgias, entre elas a de hemorróidas. Aqui, abram-se parênteses a chamar a atenção para o carinho especial que tem o nosso atual ministro com o fim do tubo digestivo. Naquela época deixava de operar os olhos da cara para cuidar de outro tipo de “olho”.

E a “mania” continuou. Dia desses gastou 40 milhões de reais com lubrificantes íntimos a serem distribuídos com os homossexuais, que, assim, transarão sem dor nesse fim de tubo digestivo.

Em nove anos o SUS gastou 144 milhões de reais com operações de cataratas, 18 milhões por ano. Quer dizer, com os 40 milhões dos lubrificantes íntimos, Temporão passava mais de dois anos operando cataratas.

O grande retrocesso na política de combate à cegueira aconteceu porque o Governo ampliou as opções cirúrgicas, mas suprimiu o foco da catarata.

Os burocratas do Ministério da Saúde têm o cretinismo de dizer que houve uma redução natural da demanda. Ora, se a população envelhece a tendência natural da demanda é aumentar; hoje o Brasil deveria fazer 570 mil cirurgias de catarata por ano.

Imagina-se que a demanda diminuiu porque esse é o típico paciente que não faz fila em frente ao hospital. Ele fica em casa vivendo em meio a lembranças e vendo borrões. Não sai sozinho e tem dificuldade até de circular pela residência ou executar as tarefas de casa. Procurar tratamento é uma via crucis: usar transporte público, entrar em filas, esperar, ouvir promessas, voltar três meses depois em busca de, somente, novas promessas.

O companheiro dileto do nosso Presidente, o coronel Hugo Chavez, montado em petrodólares, instituiu o Mission Milagro Internacional, um programa destinado a operar 600 mil casos de cataratas em pacientes carentes de países latino-americanos pobres. Em 2006, Chavez levou de Abreu e Lima - Pernambuco à Caracas, para submeterem-se a cirurgia, 98 pacientes, num só vôo fretado.

Na recente cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, onde não se resolveu pirocas nenhuma a não ser bajular Barack Obama, bem que o nosso Presidente poderia ter entrado em acordo com o coleguinha Chavez para ele continuar o seu Mission Milagro num país pobre como é o nosso Brasil.

Mas, ficou olhando para o próprio umbigo sem enxergar o que deveria ver. A voz do povo diz que o pior cego é aquele que não quer ver.

Os doentes de catarata são portadores da chamada cegueira tratável; com uma cirurgia simples de quarenta minutos a luz do mundo se acende novamente para os seus olhos cegos.

O paciente portador de catarata mercê mais atenção, pois é o melhor cego que eu conheço. É aquele que mais quer ver.

A confirmação

"Tu achas que nesse Brasil enlameado de hoje eu vou para cadeia porque comprei a renovação de uma carteira de motorista por 500 reais? Compra que fiz forçado pelas circunstancias de ter uma catarata que o Governo não autoriza operar pelo SUS, mas, por causa dela não me deixa dirigir?

To be or not to be!

1) O Governo não me dá carteira porque tenho catarata com 80% de perda de visão.
2) O mesmo governo só me inscreve numa "lista de espera" para operar minha catarata quando eu perder 50% dessa visão.
3) E aí, esse infeliz de governo só vai me operar um dos olhos quando eu chegar no topo da lista, a esta altura, cego.
4) Até lá o maldito governo também não vai me dar um cão guia.
5) Aí sem dirigir automóvel, a pé pelas ruas, corro o risco é de ser atropelado atravessando num semáforo cuja luz eu não vi com certeza.

Hugo, fique a vontade.

Pode postar no blog com nome e tudo, inclusive acrescentando os comentários desta mensagem, desde que poste também "O melhor cego".

É necessário que todo mundo tome conhecimento dessas coisas e pense nos 40 e tantos por cento de impostos que pagamos, e na merda que é a Saúde que nos oferecem em troca!"

Um abraço,

Marcus Aranha

sábado, maio 23, 2009

Assim caminha a humanidade?

Hugo Caldas

Você vai ficando velho e de repente, não mais que de repente, que nem carro antigo, começa a apresentar defeitos mil. Se dá conta de uma má respiração aqui, uma canseira alí e você vai tentando levar a vida da melhor maneira possível. É meio difícil, mas eu não me entrego. Sou feito o Corisco de Glauber, "só me entrego na bala de Parabélum na mão."

Eis que precisei renovar a minha carteira de motorista e fui simplesmente reprovado no exame de vista. Dificuldade em ler umas letrinhas bem menores do que aquelas da sopinha que a mãe da gente fazia. Quis dar uma de espirituoso alegando que não iria encontrar carro ou caminhão do tamanho das letrinhas pichititinhas. Eu não estaria me habilitando a chauffer de autorama. Me dei mal, muito mal. A senhora doutora estava visivelmente de mau humor naquele dia. Desconheço a razão. Talvez, quem sabe o respectivo não comparecera na noite anterior...? E aí sobrou pro otário aqui descobrir, que em sendo portador de um problema de catarata teria que fazer uma cirurgia e voltar para um novo exame sabe Deus quando. Mas isso foi apenas a ponta do imenso iceberg que daqui por diante iria me acompanhar.

Dirigir ou não dirigir o meu Jipe, that is the question.

Há tempos sabia do problema e já há quase dois anos estou inscrito em um desses programas de governo do tipo SUS. A operação, por baixo, está custando uns sete mil. Literalmente os olhos da cara. Plano de saúde não tenho, aliás, tive mas desisti, rompi de vez com essa despesa cara e inútil, verdadeiro saco sem fundo. Um dos meus filhos era quem pagava, mas achei absurdo.

Após inúmeras idas e vindas, visando acelerar o processo, consegui uma consulta em outro órgão do governo, dessa vez no âmbito Municipal, Santa Casa de Misericórdia, e certo dia ao cabo de uma espera de quase quatro horas em meio a um cadinho fumegante com gente de todos os tipos castas e idades, a espera de uma consulta, ou recém saídas da sala de cirurgias ostentando orgulhosos, um enorme inchaço no olho (um só) coberto por esparadrapo. Gente a dar com o pé, uma verdadeira sucursal do inferno, fui finalmente examinado. Pela enésima vez. Ao final da consulta o diagnóstico desanimador. "O SUS não autoriza a sua cirurgia porque o sr. ainda tem noventa por cento da sua visão"! Pelo que, o idiota aqui pode depreender, tem que se estar cegueta da silva para poder usufruir das delícias e da "perfeição da medicina pública brasileira”.

Correndo os passinhos fui aterrissar em consultório de outro médico, com consulta paga, tudo de acordo com os conformes que, após a repetição dos costumeiros procedimentos, "é melhor esse ou esse," "assim ou assim," o esculápio me solicitou reiteradamente fazer um exame caríssimo, com o uso de "contraste" por conta de uma anormalidade apresentada no olho esquerdo e que ele não poderia definir no consultório. Novamente saio em via-crúcis na busca de um laboratório, o que foi conseguido com a ajuda da minha filha.

Nova consulta, mais dispêndio. Sou então encaminhado a um cubículo constrangedor de uns três metros quadrados compartilhado por sete pessoas, a seguir discriminadas: Dois médicos, a amiguinha de um deles, uma enfermeira pilotando o computador, outra que cismou de espancar a minha mão direita no intuito de conseguir uma veia para a aplicação do tal contraste usado no exame. Eu, e o meu neto. De súbito a completa escuridão para levar a efeito o acurado exame quando alguém, um dos médicos, no meio das conversas fora de propósito, de forma absolutamente inesperada, perpetrou a essencial e meritória indagação:

- "É impregna ou impreguina?"

O sangue me ferveu nas veias e tive ganas de desancar o ignorante. Fosse eu a Rainha de Copas do País das Maravilhas gritaria histérico:

- "Cortem-lhe a cabeça".

Achei melhor, entretanto, não reagir. Sei como são as coisas nesta terra de doutor, de seu doutor. Sei perfeitamente onde piso, sei onde vivo. Iria com certeza piorar as coisas. Melhor seria deixar para depois. Convenhamos, no entanto, que é uma tremenda falta de respeito. Recebi após quinze dias o resultado e sabe Deus o que me espera. Voltarei ao médico que me ordenou o tal exame esta semana, estou ansiadamente a espera do veredicto final. Espero que os meus três leitores fiéis me desejem boa sorte. Quero voltar a dirigir o Jipe. Pelo menos isso!

hucaldas@gmail.com
newbulletinboard.blogspot.com

Questões Trabalhistas

"Consideradíssimo amigo, a propósito da venda do prédio da Manchete (venda que não se concretizou, acabo de ler), escrevi o texto abaixo no Blogstraquis, o qual foi transcrito no Observatório da Imprensa. Dê uma olhadinha, sim?" Moacir.

Dei não só uma olhadinha como transcrevo aqui para a glória do Blog do Hugão. H.C.


DE COMO ESCAPEI DE SER ROUBADO POR ADOLPHO BLOCH!

Moacir Japiassu

Foi olhar para a foto desse edifício vendido em leilão e me rever de terno azul à porta da Bloch Editores, a entrar no táxi que me levaria para nunca mais voltar àquele hospício. Acabara de ser demitido do cargo de chefe de Redação da revista Pais & Filhos por Pedro Jack Kapeller, o Jaquito, sobrinho de seu Adolpho. Era manhã de segunda-feira, depois da semana santa de 1970, e minha tão grave falta tinha sido dar folga ao pessoal a partir da quinta-feira anterior, depois do heróico fechamento de tantas e tantas páginas.

Vermelhos de tanto sol na praia de Ipanema, onde morávamos, eu e minha mulher e repórter da revista, Marcia Lobo, chegamos cedo e prontos para retomar o trabalho. À minha espera estava o chefe do Pessoal, Sammy-não-sei-de-que, o qual me disse:

-- Jaquito avisa que não gostou de você ter liberado a Redação e me mandou cortar quatro dias do seu salário – quinta, sexta, sábado e domingo.

-- Ele não pode cortar o domingo!

-- Mas mandou cortar.

-- Então diga a ele que vou cobrar na Justiça do Trabalho!

Meu recado deixou Jaquito furioso e a reação dele foi ordenar minha demissão ao diretor da revista, José-Itamar de Freitas, que ainda escutou estas palavras: “Minha vontade é ir até lá e quebrar a cara dele!”.

Itamar, impedido de interceder a meu favor para não complicar a situação e prejudicar Marcia, ainda empregada até aquele momento, aconselhou o sobrinho a não cometer tal desatino -- e assim escapei de apanhar na cara, diante de minha equipe e dos funcionários das redações vizinhas que funcionavam no mesmo andar...

Nos dias subseqüentes, enquanto tentava convencer Marcia a permanecer um pouco mais de tempo na revista, pois ela insistia em pedir demissão, eu acertava um esquema paulistano com Murilo Felisberto, diretor de Redação do Jornal da Tarde.

Foi então que, para meu espanto, chegou um recado do próprio Adolpho Bloch, recado trazido pela Marcia; ele queria “fazer um acordo” comigo. Pensei na hora: “O sacana não quer pagar meu Fundo de Garantia”. Não deu outra. No dia seguinte, lá fui eu ao velho prédio da editora, vizinho (vejam só!) da Penitenciária Lemos de Brito, que hospedava alguns dos piores bandidos do Rio.

Logo na entrada, à esquerda, encontrei seu Adolpho com uma pasta às mãos. Atrás dele, encostado à parede, Paulo Pellicano, assessor do Departamento Jurídico da empresa, jazia em pé. Garanto que os cumprimentei com um animado bom-dia, porém seu Adolpho e o acólito não estavam ali para falsas gentilezas.

“Quero fazer um acordo com você. Esse Fundo de Garantia está muito alto”, enunciou ele; eu, que era e ainda sou meio estouvado e mantinha viva na memória a ameaça de agressão feita por Jaquito, nem quis escutar o resto e me escapou uma frase de quem não fez o curso do Instituto Rio Branco: “Não tem acordo, seu Adolpho. O filho da puta do Jaquito...”.

O dono daquilo tudo também não quis escutar o resto. O rosto de velho urso siberiano avermelhou-se. Ele bateu as duas mãos na mesa, trincou os dentes. Me lembrei da vez em que, ao substituir Zé-Itamar na direção de Pais&Filhos, incluí numa matéria algumas belas fotos de Walter Firmo e levei as páginas para que seu Adolpho as aprovasse. O homem enlouqueceu, arrancou os slides, mastigou alguns, pisoteou os demais e me olhou como um gauleiter de cidadezinha ocupada:

“Puta que pariu, caralho, porra! Já pedi pro Itamar não botar preto na revista, ele sai e vem você e bota preto!!!”

Seu Adolpho, russo de nascimento mas brasileiríssimo no linguajar do cais do porto, onde desembarcara no início do século, cevava os mais obscenos palavrões e os repetiu naquela inesquecível manhã do “acordo” para não me pagar o Fundo de Garantia.

“Filho da puta é você!”, esgoelou-se o homem. Atrás dele, pálido, o assessor balançava-se encostado à parede. Ao me levantar da cadeira, lancei àquela atmosfera imunda mais alguns insultos de nordestina lavra. Então saí para a manhã de sol e nunca mais vi Adolpho Bloch. Soube mais tarde que ele, nas vascas da danação, jogou no lixo a minha pasta de empregado, que abrigava a minha primeira carteira profissional cujos registros fizeram falta quando resolvi me aposentar.

Todavia, prometi a mim mesmo que o velho enxundioso e trapaceiro não iria ganhar aquela briga, apesar da estratégia que se seguiria à discussão e da qual tomei conhecimento quando fui assinar uns papéis no Departamento do Pessoal. O chefe Sammy-não-sei-de-que trazia no azeitonado rosto de beduíno o sorriso de satisfação de quem acabara de comer a Miss Brasil:

“Olha, teu Fundo de Garantia sai em 40 dias mas você só pode receber se for a São Paulo; tá depositado no Banco Cidade, que não tem agência aqui no Rio...”.

O caçambeiro do deserto perdeu a alegria com minha resposta:

“Mas que bom, Sammy! Vou assumir no Jornal da Tarde de São Paulo na semana que vem; quando o dinheiro chegar, já estarei na boca do caixa...”.

Marcia pediu demissão, mudamos de cidade e de vida e minhas primeiras semanas foram dedicadas à tentativa de receber o dinheiro que seu Adolpho me devia. Como a Redação do jornal ficava a poucos metros da Galeria Metrópole, onde o conluiado banco se escondia, eu lá estava a toda hora. Ameaçava quebrar a cara de alguém, como Jaquito fizera comigo; prometia enfiar uma reclamação contra o Banco Cidade na seção de cartas do JT e ainda dar parte à polícia. Nada.

Somente quando mandei um telegrama a seu Adolpho dando-lhe conta de que entraria na Justiça é que me foi pago o que me pertencia, não sem antes conhecer mais uma do descarado repertório blochiano: com o telegrama nas mãos, Jaquito foi procurar meu irmão, Celso Japiassu, na época diretor da Denison, agência que administrava a conta publicitária do Grupo Manchete. O sobrinho mostrou-lhe a mensagem na qual se lia URGENTE:

“Celso, teu irmão mandou isso pro Adolpho e ainda bem que interceptamos a tempo; o velho iria morrer do coração se lesse esse negócio. Por favor, pede a teu irmão pra parar com isso...”.

Celso, que não se meteria na briga de jeito nenhum, teve expediente para responder:

“Eu não posso fazer isso porque sou brigado com meu irmão; ele é meio doido, acho melhor pagar e esquecer...”.

Pagaram, mas não esqueceram. Anos mais tarde, consultado por Jaquito, que queria um jornalista para chefiar a sucursal da Manchete em São Paulo, alguém que me fugiu da memória sugeriu meu nome; o sobrinho arregalou os olhos: “Esse não, de jeito nenhum; o cara é doido, briga com todo mundo, brigou até com o irmão!!!”)

quinta-feira, maio 21, 2009

PARA SUA REFLEXÃO:



Você consegue entender isso?

A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.

O Nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.

Tente entender:

Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.

Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?

Carta aberta para Renato Aragão, o nosso Didi

Eliane Sinhasique

Conhecia essa carta já há bastante tempo. Nunca é tarde para colaborar com o País. Posto agora o excelente desabafo da Jornalista, Radialista e Publicitária atuante em Rio Branco - Acre há mais de 19 anos. Repórter especial do Jornal A Gazeta e Apresentadora do programa Toque Retoque da Gazeta FM 93,3. H.C.

Querido Didi,

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos ! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.

Para você ter uma idéia, na minha cidade, a alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República.

Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.

Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida.

Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim ! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando...

Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, serei obrigada a ser mal educada : vou rasgá-la antes de abrir.

PS2 Aos otários que doaram para o criança esperança. Fiquem sabendo, as organizações Globo entregam todo o dinheiro arrecadado à UNICEF e recebem um recibo do valor para dedução do seu imposto de renda. Para vocês a Rede Globo anuncia: essa doação não poderá ser deduzida do seu imposto de renda, porque é ela quem o faz.

PS3 E o dinheiro da CPMF que pagamos durante 11 anos? Melhorou alguma coisa na educação e na saúde durante esses anos?

BRASILEIROS PATRIOTAS (e feitos de idiotas) DIVULGUEM ESSA REVOLTA....