quarta-feira, agosto 07, 2013

"Cala a Boca, Magda!".

"Eu queria iniciar comprimentando aqui todos os presentes, comprimentando a mulher cearense, os companheiros homens e dizer do meu imenso prazer de tá aqui, mais uma vez, no Ceará. [...] O Nordeste e a seca são um problema. Jamais houve uma atitude correta em relação a essa situação ao longo dus…dus…dus anos sobre essa situação, que é a questão da existência dum fenômeno climático nessa região do país. [...] E de um lado é um desafio e de outro, é um direito do cidadão que aqui veio, aqui povoou e aqui… não só fez tudo isso, mas inaugurou o Brasil. Num vamos esquecê aonde o Brasil cumeçô. [...] Por isso, nós todos sabemos que hoje, todo mundo olha pra essa região e num mais o chamado primo pobre da nação."

 SE NÃO ACREDITA VEJA O VÍDEO ABAIXO!





terça-feira, agosto 06, 2013

Perguntinha Impertinente...

 Quem disse ao Marcelo Adnet que ele é engraçado?

A Grande Sacada


 "De repente, vem a ideia de uma agenda positiva para enganar o povo. Vamos falar com franqueza. O povo quer mudanças. O povo não quer ajustes. O povo quer uma nova história, não quer pontos e vírgulas nos documentos oficiais. Essa agenda positiva é uma ilusão que estamos criando na população ou mesmo um engano. Mas é isso o que estamos fazendo". Senador Cristovam Buarque

A prece que o santo não rezou

 Gabriel Perissé

Falsamente atribuída a São Francisco de Assis, Oração de Paz é invenção do século 20 e foi traduzida para praticamente todos os idiomas.
                                                                                             

Sabe-se hoje que a oração de São Francisco de Assis, conhecida como a Oração da Paz, não é da autoria do santo, que viveu no século 13, considerado o santo dos pobres. Não há vestígio de texto seu com este conteúdo no dialeto úmbrio do italiano, como é o caso do Cântico das Criaturas, e menção alguma à prece antes do século 20.
           
Vários estudiosos colocaram em dúvida a atribuição, a partir dos anos 1940. Nos 70, o monge trapista Willibrord van Dijk escreveu o artigo “Uma oração em busca de um autor”. Mas só recentemente o historiador francês Christian Renoux reuniu provas para revelar, no livro A Oração pela Paz atribuída a São Francisco de Assis: um Enigma a Desvendar (2001), a história da oração, ecumênica por excelência, cuja beleza motivou traduções em quase todos os idiomas.

A oração veio à luz em Paris, em 1912, numa modesta publicação católica (La Clochette, isto é: A Sineta), editada pelo padre Esther Bouquerel, em Paris. Vinha sob o título: “Bela oração para se fazer durante a missa”. Talvez tenha sido concebida pelo próprio padre, ou por um fiel inspirado que se manteve anônimo.
      
Repleta de antíteses, ficaria restrita a um círculo de devotos, mas chegou ao conhecimento do papa Bento XV. Em 1916, na Grande Guerra, o Pontífice julgou oportuno que a oração fosse traduzida para o italiano e divulgada no Observatório Romano (edição de 20 de janeiro). Uma semana depois, ela ressurgiu num dos jornais de maior circulação da França: o La Croix.
       
Nos anos 20, um frade capuchinho distribuiu o texto com o título “Oração pela paz” no verso da imagem de São Francisco. Não dizia que pertencia ao santo, mas permitia a associação. Em 1927, o movimento protestante francês Os Cavaleiros do Príncipe da Paz, de promoção da harmonia entre os povos, difundiu a oração pela Europa, atribuindo-a ao santo.
      
Ultrapassando fronteiras, foi traduzida para o inglês pelo pacifista americano Kirby Page, no livro Vivendo Corajosamente (1936). Page garantia que seu autor era Francisco de Assis. A “Oração de São Francisco” propagou-se com a 2ª Guerra, e suas traduções se multiplicaram em outros idiomas europeus. A urgência pela paz deixava de lado a questão da autoria.
       
Mencionada e retraduzida, tranformada em canções ou adaptada, é difícil saber com exatidão as fontes para cada versão da Oração da Paz. 

Gabriel Perrissé é tradutor  pesquisador do NPC – Núcleo Pensamento e Criatividade.


Oração da paz
Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
                          

O Clipe do Dia



Ainda vale a pena viver. A consagração de um artista.

segunda-feira, agosto 05, 2013

Piedade Moura

Plínio Palhano
Piedade Moura
Conheci a pintora Piedade na década de 1970, em uma visita que me fez, pelo fato de a artista ter lido uma entrevista minha. Desde então, consolidamos um laço que permanece vivo nas lembranças.

O seu sorriso vem logo à memória: largo, intenso, sonoro; os olhos brilhantes e inteligentes de quem gostava de ler, de falar intensamente, de viver, de acompanhar os melhores filmes, de ir às peças teatrais ­­­­— e lá estava Piedade, às vezes nos bastidores, por ser amiga dos atores e por ter irmãos no ofício, como Nilson Moura, um dos criadores do Mamulengo Só-Riso, e Gilson Moura; uma família de artistas.

Piedade era assim, intensa, tudo o que fazia era como a sua pintura, com fortes pastas de tinta, cores saídas do tubo diretas e entregues ao suporte, com pequenas interferências de brancos e negros, para criar as sombras ou clarões que vinham de sua mente, como os amarelos que apreciava evidenciar. Rasgava as composições com pinceladas como meteoros, numa interferência proposital; tudo tinha o seu valor para o olhar da pintora, enxergava as coisas com uma visão própria e deixava-se levar pela força da ação gestual.

Pintávamos juntos nessa energia vibrante, paisagem, pessoas, temas variados. Era magnífico como encarava as paisagens. Dava o tom que queria e como via, sem nenhuma preocupação com a captação natural — em sua cabeça não havia nenhum mestre para se influenciar. A pintura de Piedade poderia, hoje, por exemplo, estar presente no que conceituamos sobre a arte contemporânea, ou melhor, pintura contemporânea. Estaria caminhando estreitamente com artistas desse veio atual.

Nesse entrelaçamento de trabalho e amizade, convidei-a para que posasse para mim. Ela concordou de imediato. Realizei uma série imensa com Piedade como modelo. Série que me deixou tomado por cada quadro realizado. Eram soluções pictóricas que encontrava, ora penetrando numa sequência abstratizante, ora captando as formas um pouco realistas. Mas a meta era dar o ponto exato da expressão.

No dia 21 de janeiro de 1984, acordei de madruga, e, naquele dia, o sol nasceu de cor dourada, com tons avermelhados, numa aparência de dor profunda, o meu sentimento é que havia perdido alguém tão importante que não poderia acreditar naquela fatalidade. Era um dia após a morte de Piedade Moura, nunca mais pude ter a alegria do seu convívio...

Plínio Palhano é artista plástico

‘A banalidade de Dilma’

FERNANDO GABEIRA


Ao sair do filme Hannah Arendt, a filósofa judia descrita na tela por Margarethe von Trotta, muitas ideias me vieram à mente. Lembranças da ditadura, meu depoimento no Tribunal Bertrand Russel, em Roma, onde também defendi a presença da banalidade do mal entre torturadores brasileiros, quase todos dedicados pais de família, operosos funcionários do governo. A experiência de Hannah Arendt, que cobriu o julgamento de Adolf Eichmann para a revista New Yorker, causou verdadeira comoção. Não só por questionar o papel de alguns líderes judeus, mas por afirmar que Eichmann não era um monstro. O enigma, para ela, era a contradição entre a mediocridade de alguns homens e a dimensão da tragédia que provocaram. O nazismo passou, também passou a ditadura militar no Brasil. Mas existem elementos no discurso de Hannah, em especial o que faz para seus alunos no auge da polêmica sobre o artigo na New Yorker, que merecem ser retomados à luz da conjuntura brasileira.

Eichmann declarou que punha os judeus nos trens cumprindo ordens. Não se importava com o que aconteceria com eles porque, uma vez nos trens, seu destino pertencia a outras repartições que não a dele. Hannah observa que Eichmann renunciou a pensar e essa era a raiz de sua desumanização. A renúncia a pensar não é privilégio das pessoas medíocres, mas é muito mais frequente entre elas.

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Clipe do Dia



O maior show do mundo. Olha só pra que serve a Arena Pernambuco...